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Por um Brasil menos Globeleza – uma opinião masculina

Uma reflexão masculina sobre a imagem da mulher na nossa sociedade, sobretudo a da mulher negra e a violência a qual todas estão expostas. Leia!

por   em Empoderamento   | 31.03.2014

 

Miguel Celso Ramos de Souza é engenheiro e nacionalista. Possui o blog “Opiniões em Sintonia Pirata”, juntamente com o sócio e amigo Miguel Gasparoni, onde escreve pela inquietação e revolta que sente com/contra as injustiças e desmazelos do dia a dia e do mundo. O blog trata de assuntos como política, economia, sociedade, cultura e mídia, sempre polemicamente, fugindo do enfoque convencional .

 

Por um Brasil Menos Globeleza

 

Erotização, hipersexualismo, machismo, sexismo, racismo. Tudo isso me vêm à cabeça quando ouço o termo “Globeleza”.

Mais que um jargão ou “elogio racista” (me apropriando de um termo cunhado pela blogueira Charô Nunes), ser Globeleza é ser a “negra gostosa” para a Globo, para o deleite da classe média, que comparará os detalhes dos corpos, desta e das anteriores, ignorando tudo o que a mulher representa na sociedade e, além disso, os desafios ainda maiores que uma mulher negra enfrenta dia após dia.

A competição pra se tornar uma Globeleza e ter sucesso (?!?), me lembra o Sargentelli apresentando suas mulatas na década de 80 e 90: sentado como um senhor de escravos a negociar sua mercadoria. (pra quem não lembra, achei um vídeo do programa do Clodovil).

 

 

Quando ouço comentários em corredores e ambientes públicos, a lá Michel Teló, sinto vergonha e lamento pela mulher vítima daquela ofensa, evito ser complacente a esta cultura machista enraizada, pois entendo (ao menos tento entender) a fragilidade e impotência femininas frente aos costumes e regras vigentes na sociedade e encarados como “normais” por quase todos.

Já que citei a internacionalmente famosa música “Ai se eu te pego!”;  ela, alguns filmes e até mesmo o Carnaval, atrapalham bastante o intuito de desvencilhar o hipersexualismo explorado nas mulheres negras. E é triste constatar que parte do público consumidor desta cultura, sofre na pele o mesmo preconceito (seja na própria, ou na pele de uma companheira, filha, parente), o que mostra incoerência.

Sou completamente a favor do “Brasil menos Globeleza” apregoado aqui.

Proponho refletirmos, homens e mulheres, nas pequenas atitudes machistas e racistas que temos no dia-a-dia; em palavras como “denegrir”, expressões como “ovelha negra” e “cor do pecado”, comentários sobre roupas e cabelos.

Falando especificamente aos homens agora, proponho também que nossos comentários não sejam feitos na frente de mulheres, expondo-as ainda mais a este machismo degenerativo; ou que sejam substituídos. Por exemplo, ao invés de:

– Tem coragem, fulano?

– Não tenho é sorte, beltrano!

 

Que usemos:

– Tem coragem, fulano?

– Ela é bonita, mas porque falar sobre ela na frente dela?

 

Dessa forma, ofensas e comportamentos impróprios não se propagam.

Que as mulheres sejam cultuadas e homenageadas não só no dia ou no mês dedicado a elas, mas todos os dias e todos os meses, mas sem excessos, sem machismo.

 

Imagens: 01, 02 e 03

Espalhe por aí!
 

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