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Lupita Nyong’o #merepresenta

Lupita Nyong'o conta como foi o processo de aceitação de sua beleza no 7º Essence Black Women in Hollywood onde. Assista e entenda porque ela nos representa.

por   em Empoderamento   | 08.05.2016

 

Vocês já devem estar cansadas(os) de saber o quanto nós aqui do Soul Negra admiramos, nos inspiramos e nos sentimos representadas pela na atriz Lupita Nyong’o. Hoje, gostaríamos de compartilhar com vocês, um trecho 7º Essence Black Women in Hollywood onde ela conta como foi o processo de aceitação de sua beleza. O vídeo é de 2014, não é tão recente assim, no entanto, o assunto continua atual. Confira:

Eu recebi uma carta de uma garota e gostaria de dividir um pequeno trecho com vocês: “Querida Lupita”, ela diz, “acho que você tem muita sorte em ser tão negra e, ainda assim, tão bem sucedida em Hollywood de repente, eu já estava prestes a comprar o creme Whitenicious da Dencia para clarear a minha pele, quando você apareceu no mapa e me salvou”.

Meu coração sangrou um pouco quando li essas palavras. Nunca poderia imaginar que meu primeiro trabalho após a faculdade, seria tão poderoso, intrinsecamente, e que me induziria a ser tal figura de esperança, da mesma forma com que as mulheres de “A Cor Púrpura” foram para mim.

Lembro-me de uma época em que eu, também me sentia sem beleza. Eu ligava a TV e só via peles claras. Fiquei insultada e aborrecida com a minha pele “negra como a noite” e minha única prece a Deus, o que faz milagres, era que eu acordaria com a pele clara. Amanheceria e eu estaria tão animada com minha nova pele que evitaria me olhar até estar a frente do espelho, porque queria ver meu rosto claro antes. E, todo dia, eu tinha a mesma decepção de ser tão escura como no dia anterior. Tente negociar com Deus. Eu disse a ele que pararia de pegar doces escondido se ele me desse o que eu queria, eu obedecia a todas as palavras de minha mãe – sentada bem ali – e nunca perderia meu suéter da escola de novo, se ele me tornasse um pouco mais clara. Porém, acho que Deus não ficou comovido com minhas ofertas, porque ele nunca me deu atenção.

Na minha adolescência, esse ódio por mim mesma piorou, como podem imaginar, acontece com adolescentes. Minha mãe me lembrava sempre de que ela me achava bela, mas isso não era consolação alguma, ela é minha mãe, é claro que deve achar que sou bela. E então Alek Wek entrou no cenário internacional, uma modelo célebre, ela era escura como a noite, ela estava em todas as passarelas e revistas, e todos falavam o quão bela ela era, até Oprah a chamou de bela, o que fez disso um fato.

Não conseguia crer que estavam aceitando uma mulher que parecia tanto comigo como bela. Minha cor tinha sempre sido um obstáculo a superar e, de repente, Oprah me dizia que não era. Era confuso e eu queria rejeitar, pois tinha começado a apreciar a sedução da inadequação, mas uma flor não podia ajudar senão brotar dentro de mim, quando vi Alek, vi um reflexo de mim mesma que não podia negar. Agora, eu tinha entusiasmo pois sentia-me mais vista, mais apreciada pelos ‘guardiões da beleza’, mas a minha volta, a preferência por pele clara prevaleceu.

Para os observadores que achava importante, eu ainda era sem beleza e minha mãe mais uma vez dizia pra mim: “Não se pode comer beleza, isso não te alimenta” e essas palavras me aborreciam e me incomodavam, eu não as entendia de verdade, até, enfim eu entender que beleza não era algo que poderia obter ou consumir, era algo que eu apenas tinha que ser, e o que minha mãe quis dizer com “não se pode comer beleza”, foi que você não pode fiar-se à sua aparência para se sustentar, o que realmente nos sustenta, o que é belo fundamentalmente, é compaixão por si mesmo e pelos que estão a sua volta.

Esse tipo de beleza atiça o coração e encanta a alma, foi o que trouxe a Patsey tantos problema com o seu senhor, mas também o que manteve a história dela viva até hoje. Nós lembramos a beleza do espírito dela mesmo após a beleza do seu corpo se esvair. Então, eu espero que minha presença em suas telas e em revistas, possa guiá-la, jovem menina, por uma similar jornada. Que você sinta a validação da sua beleza exterior, mas também, siga a mais intensa missão de ser bela por dentro. Essa… Não há tonalidade alguma nessa beleza.

Obrigada

Infelizmente, qualquer semelhança com a nossa realidade não é mera coincidência e é por isso que nós, mulheres e meninas negras precisamos de mais Lupitas, Aleks, Violas, Soffias, Marias e tantas outras. Representatividade importa e importa muito.

Lupita Nyong’o. Sim, você #merepresenta!

Espalhe por aí!
 

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