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Jesse Williams #merepresenta

Jesse Williams foi ovacionado no Black Entertainment Television (BET) ao receber o prêmio Humanitarian Award. Assista ao discurso e entenda o porquê.

por   em Empoderamento   | 08.07.2016

 

Hoje o protagonista da #merepresenta é o discurso que Jesse Wiliians, também conhecido como Dr. Jackson Avery, seu papel na série Grey’s Anatomy, proferiu ao receber o Humanitarian Award (Troféu Humanitário, em tradução livre) no Black Entertainment Television (BET) Awards – cerimônia que premia artistas afroamericanos do entretenimento – que aconteceu no último domingo, dia 26 de junho, nos EUA .

O ator emocionou a todos ao relatar o tratamento que homens e mulheres negros recebem da polícia todos os dias. Infelizmente, qualquer semelhança com a nossa realidade brasileira não é mera coincidência.

Paz, paz.

Obrigado Debra. Obrigado Nate Parker, Harry e Debbie Allen por participarem disso.

Antes de começar, eu só queria dizer que trouxe meus pais essa noite e só quero agradecê-los por estarem aqui, por me ensinarem a me manter focado em compreender a minha profissão, eles podem ter a certeza de que eu aprendi o que as escolas tem medo de ensinar. Também quero agradecer a minha maravilhosa esposa por mudar a minha vida.

Agora esse prêmio… isso não é pra mim. Isso vai para as organizações de todo o país: os ativistas, os advogados de direitos humanos, os pais que lutam, as famílias, os professores, os estudantes que estão percebendo que um sistema construído para nos dividir, para nos empobrecer e para nos destruir, não irá permanecer se lutarmos. É como matemática básica, quanto mais aprendemos sobre quem somos e sobre como chegamos aqui, mais iremos nos mobilizar.

Agora, isso também vai para as mulheres negras. Em particular as que passaram suas vidas se dedicando a cuidar de todos antes de si mesmas. Nós podemos e iremos fazer o melhor pra vocês.

Agora, o que estamos fazendo é olhar para os dados e nós sabemos que a polícia de alguma maneira consegue abordar, desarmar e não assinar pessoas brancas todos os dias. Então o que vai acontecer, é que nós teremos direitos iguais e justiça em nosso país, ou iremos reestruturar a função da polícia e as nossas.

Agora … eu tenho mais … Ontem seria o aniversário de 14 anos do jovem Tamir Rice. Então eu não quero ouvir mais nada sobre o quão longe nós chegamos quando servidores públicos podem atirar na direção de um garoto de 12 anos que brincava sozinho num parque em plena luz do dia, aparecer na televisão o assassinando e voltar pra casa fazer um sanduíche. Diga para Rekia Boyd como é tão melhor viver em 2012 do que era viver em 1612 ou 1712. Digam isso ao Eric Garner. Digam isso à Sandra Bland. Digam isso ao Darrien Hunt.

Agora a questão é que todos nós aqui estamos ganhando dinheiro, o que por si só não vai parar com isso. Agora dedicamos as nossas vidas a ganhar dinheiro, a botar a marca de alguém em nosso corpo, quando passamos séculos rezando com as marcas em nossos corpos. E agora nós rezamos para sermos pagos, para termos marcas em nossos corpos. Não existiu uma única guerra em que não lutamos e morremos na linha frente. Não existiu um único trabalho que não fizemos. Nenhum imposto que não tenham cobrado de nós e nós pagamos todos eles. Mas a liberdade é de alguma forma sempre condicional aqui.  “Você é livre.” Eles continuam dizendo. Mas ela deveria estar viva se não tivesse agido tão… livremente.

Agora… A liberdade está sempre vindo no futuro, mas vocês sabem, o futuro é uma confusão. Nós queremos agora. E vamos deixar algumas claras, só uma pequena nota: o fardo dos brutalizados não é para confortar o espectador. Esse não é o nosso trabalho. Parem com isso. Se você tem uma crítica à resistência, da nossa resistência, então é melhor você ter uma longa história para basear sua crítica sobre a nossa opressão.  Se você tem interesse… se você tem interesse em direitos iguais para pessoas negras, então não tente dar sugestões aqueles que tem. Fique quieto.

Nós estamos flutuando neste país atrás de crédito há séculos, e estamos cansados de observar a esperar enquanto essa invenção chamada branquitute usa e abusa de nós, enterrando os negros e mantendo-os fora da vista e fora da mente, enquanto extraem nossa cultura, nossos dólares, nosso entretenimento, como petróleo – ouro negro, marginalizando e rebaixando as nossas criações e as roubando. Gentrificando nossa genialidade e então nos usando como fantasias para depois descartar nossos corpos como cascas de uma fruta estranha.

A questão é… A questão é: só porque somos mágicos não significa que não somos reais.

Muito obrigado.

Obrigada Jesse por dizer ao mundo aquilo uma dor que nós vivemos e sentimos todos os dias enquanto muitos fingem não perceber. Jesse Williams. Sim, você nos representa.

Espalhe por aí!
 

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